Por – Rodrigo Fumagalli

Vida Fraterna, mais que uma obrigação, uma necessidade!

O termo “Vida Fraterna”, tão presente na vida das novas comunidades, foi resgatado justamente com o surgimento das mesmas, logo após o Concílio Vaticano II. Sabemos que as novas comunidades, junto com o movimento da renovação carismática são, a “primavera da igreja” como disse o Santo Papa João Paulo II. Digo resgatado pois, com o passar do tempo, a estrutura de sociedade atual foi apagando e sufocando esse importante pilar da vida Cristã, que o próprio Jesus tanto fez questão de valorizar.

A sociedade atual insiste em criar produtos e serviços que NÃO valorizam a convivência. Basta olharmos para o crescimento assustador da tecnologia que, em suma, faz com que o indivíduo não precise sair de sua casa para, se relacionar com outro, para pedir comida ou até mesmo para assistir filmes. E mais… em um futuro próximo, não sairemos nem para viajar, basta olhar para a moda de realidade virtual… triste possibilidade de estar em qualquer lugar, sem sair do lugar!

Enfim… Voltando ao comportamento de Jesus, imaginem só, o próprio Deus, que era e é capaz de realizar todas as coisas quis viver em fraternidade, quis dividir a própria vida com amigos e seguidores! Jesus poderia ter realizado seu “plano salvífico” sozinho, mas não o fez, desejou escolher coparticipantes desse plano, pessoas normais, assim como eu e você, que tinham defeitos, medos e traumas…

Um fato claro e específico da importância dessa estrutura fraterna é, quando olhamos para o livro do Atos dos Apóstolos, no capítulo 2, e vemos a estrutura da primeira comunidade Cristã, “eles mostravam-se assíduos aos ensinamentos dos apóstolos, à comunhão fraterna, à fração do pão e às orações”. Eles desejavam viver uns com os outros, porque à luz da vida de Cristo, sabiam que só através da vivência com o outro você consegue colocar em prática alguns valores fundamentais como o amor, o perdão, a misericórdia, a humildade, a obediência entre tantos outros…

A vida fraterna nos ajuda a ser sensível ao outro, nos ajuda a deixar as nossas próprias convicções para dar lugar às convicções do outro, nos ajuda a morrer para nós mesmos para que o outro viva!

E nesse fluxo intenso de abnegação e amor unânime, o Senhor Jesus se manifesta e podemos reviver concretamente o sentimento que os primeiros Cristãos viveram, o sentimento de ser igreja! Que alegria e que privilégio!

Deus é tão maravilhoso que olhou mais uma vez a necessidade do seu povo, e através do surgimento das novas comunidades nos fez perceber que, mesmo diante de tanta opressão, nos forçando no caminho da solidão e autossuficiência, a simples e tão “démodé”, vida fraterna, é o modelo mais puro, revolucionário e genuíno de se aproximar do Cristo!

Ao final do trecho, o livro de Atos 2, cap. 47 diz; “…E o Senhor acrescentava cada dia ao seu número os que seriam salvos”.

Mais do que um fato, encaro essa frase como uma profecia, com a certeza de que o Senhor levanta nesse tempo homens, mulheres, jovens e crianças que desejam viver fraternalmente o essencial da vida Cristã!

Louvado seja Deus que faz brotar, através dessa linda primavera, flores das mais diversas cores e aromas!

Paz e Fogo.