Por – Marcio Oliva

Olá irmãos e irmãs! A paz do Cristo que liberta!
Estamos às vésperas de celebrar a festa em memória de Santa Luzia, também conhecida como Santa Lúcia de Siracusa. Ela que conquistou a glória dos santos, em virtude de seu sacrifício e martírio.
O somos igreja desta semana, vem trazer para nós o que é “Ser mártir”.
– Isto é algo escolhido ou não? Está ao alcance de todos?
Segundo o dicionário informal, um mártir é uma pessoa que morre por sua fé religiosa, pelo simples fato de professar uma determinada religião ou por agir coerentemente com a religião que possui.
A palavra mártir vem do grego martys, martyros, que significa testemunha. O mártir é uma testemunha qualificada que chega ao derramamento do próprio sangue.
O Papa Bento XIV assim se exprimiu: “O martírio é a morte voluntariamente aceita por causa da fé cristã ou por causa do exercício de outra virtude relacionada com a fé”.
O Catecismo da Igreja Católica § 2473 retoma o conceito: “O martírio é o supremo testemunho prestado à verdade da fé; designa um testemunho que vai até a morte. O mártir dá testemunho de Cristo, morto e ressuscitado, ao qual está unido pela caridade. Dá testemunho da verdade da fé e da doutrina cristã. Enfrenta a morte num ato de fortaleza. ”

– Então eu posso deliberadamente escolher ser mártir?

Antes de se responder sobre isto, deve-se notar o seguinte: O martírio é uma graça que tem sua iniciativa em Deus. Não compete ao cristão procurar o martírio provocando os adversários da fé. A Igreja sempre condenou esse comportamento, pois seria presunçoso (quem pode ter a certeza que irá suportar corajosamente os tormentos do martírio?); além do quê, seria provocar o pecado do próximo ou dos algozes.
Para que haja martírio propriamente dito, requer-se que o cristão morra livremente, ou seja, aceite conscientemente o risco de morrer por causa da sua fé. A aceitação da morte pode ser explícita, como no caso em que o perseguidor deixa a escolha entre renegar a fé (ou uma virtude relacionada com a fé) e a morte. A aceitação livre pode ser implícita quando a pessoa sabe que o seu compromisso cristão pode levá-la até a morte e, não obstante, é fiel a esse compromisso.

O Concilio do Vaticano II desenvolve tal noção: “Visto que Jesus, Filho de Deus, manifestou Sua caridade entregando Sua vida por nós, ninguém possui maior amor que aquele que entrega sua vida por Ele e seus irmãos (cf. 1Jo 3, 16; Jo 15, 13). Por isso, desde o início alguns cristãos foram chamados – e alguns sempre serão chamados – para dar o supremo testemunho de seu amor diante de todos os homens, mas de modo especial perante os perseguidores. O martírio, por conseguinte – pelo qual o discípulo se assemelha ao Mestre, que aceita livremente a morte pela salvação do mundo, e se conforma a Ele na efusão do sangue – é estimado pela Igreja com exímio dom e suprema prova de caridade. Se a poucos é dado, todos, porém, devem estar prontos a confessar Cristo perante os homens, segui-lo no caminho da cruz entre perseguições, que nunca faltam à Igreja” (Lumen Gentium, nº 42).
O martírio é algo tão antigo quanto a pregação da Palavra de Deus. Já ocorreu na história dos Profetas do Antigo Testamento. No século II a.C. os irmãos macabeus sofreram a morte cruenta por causa da sua fé (2Mc 7, 1-42), assim como o escriba Eleazar (2Mc 6, 18-31).

O martírio teve seu ponto alto em Jesus Cristo. Santo Estevão é o primeiro mártir do Cristianismo após Jesus Cristo (cf. At 7, 55-60). No fim do século I, o Apocalipse fala de “imensa multidão”, que ninguém pode numerar, daqueles que lavaram e alvejaram suas túnicas no sangue do Cordeiro” (cf. Ap 7, 9.14). Em síntese, São Paulo afirma que “todos aqueles que quiserem viver com piedade em Cristo Jesus, serão perseguidos” (2Tm 3, 12).

“322 cristãos são mortos por mês (11 por dia!) no mundo por causa de sua religião.”

A História da Igreja mostra com clareza que em todos os lugares do mundo onde a semente do Evangelho foi lançada, teve de ser regada com o sangue dos mártires. Jesus já tinha avisado: “Se o mundo vos odeia, sabei que me odiou a mim antes que a vós… O servo não é maior que o seu Senhor. Se me perseguiram, também vos hão de perseguir” (João 18, 20).

Nossa baluarte Santa Luzia não foi diferente. Seguiu em sua vida material firme e fiel a seus propósitos, e como reflexo, não querendo oferecer sacrifício aos deuses e nem quebrar o seu santo voto de viver a virgindade perpétua, teve que enfrentar as autoridades perseguidoras e também ter seu sague derramado ao ser decapitada no ano 303, para assim testemunhar com a vida, ou morte o que disse: “Adoro a um só Deus, e a ele prometi amor e fidelidade”
Que a exemplo destes tantos santos mártires, possamos encontrar fortaleza e perseverança em nossa fé. Que sejamos convictos em nossas escolhas, e independente da ocasião nunca recuemos ao proclamar a verdade do evangelho que Cristo nos deixou.
Santa Luzia, virgem e mártir, rogai por nós!