Rafaela Cotrim – 24 anos

Discípula da CACL

 

Desde pequena tive uma vida tranquila. Nascida em berço católico, frequentava as missas todos os domingos, rezava o terço com a minha avó e minha bisa maternas. Achava um máximo ter um Papai do Céu, parecia que eu estaria sempre protegida.

 

Cresci, me tornei adolescente, e ao contrário de muitas das minhas amigas, eu era tranquila. Gostava de livros, séries, filmes, de uma companhia em casa, e era feliz assim. Mas é claro que fui influenciada algumas vezes e fui à lugares que não agradam ao nosso Deus, mas nunca nada de muito errado. Apesar da tranquilidade, sentia falta de algo, por ter uma família com uma condição de vida razoável, gostava de comprar coisas, ou de tentar preencher com comida, uma busca por uma imagem perfeita, algo que me inquietava. Foi aos 14 anos que tive meu primeiro grande encontro com o Senhor, no retiro de jovens, a alegria que eu sentia ali era inexplicável, me lembro até hoje de na partilha do domingo de manhã dizer: “Sei que esse Deus é educado, e me pede permissão para entrar em meu coração, mas comigo ele não precisa ser educado, pode entrar e ficar aqui pra sempre.” A partir de então vivia dentro da igreja, servido no ministério de artes. Mas o tempo passando, vi meus amigos conquistando coisas, e eu não, e apesar de chateada, não O deixei, porque sabia que o que me completava eu só encontraria nele. Fui líder de célula da pastoral de crisma, liderei jovens e comecei a namorar. O meu príncipe havia chegado, meio diferente do que eu imaginei, mas que hoje, eu tenho a plena convicção de que ele é o homem que o Senhor separou pra mim.

 

Mas foi em 2013 que tudo mudou, a vida ministerial já não era o bastante, havia um desejo profundo de ser mais de Deus. E conheci a vida fraterna através da Comunidade Shalom, que me fez pensar a respeito, ainda que o medo estivesse ali. Foi na JMJ, que durante a adoração de sábado a noite na praia de Copacabana, meu coração pulsava, havia em mim um desejo de ser de Deus. Voltei decidida a ingressar no vocacional daquela comunidade que me apresentou a vida consagrada, mas não encontrei meu lugar. Mal sabia eu, que o meu lugar estava sendo gerado no coração do meu fundador. Em 2014, e eu minha família passamos por um grande trauma, que me abalou profundamente, que me fez duvidar de Deus, onde Ele estaria quando tudo aconteceu? Tinha me esquecido? Mas naquele mesmo ano, como um pai que cuida de cada filho, Ele me conduziu a Simulação Novos Atos no Rio de Janeiro, e ali, fez o que era necessário no meu interior.

Hoje, olho para trás e vejo o cuidado de Deus em cada passo da minha vida. Por nunca ter me desviado de seu caminho, por ter me mantido sempre por perto, e por ter me dado de presente uma mamãe tão linda, que fica sempre comigo. Olho para trás e vejo que Ele me preparava, e impulsionava buscar a água que me saciaria e saciará para sempre. Hoje, desejo renovar meu sim diariamente, desejo ser sinal de libertação a todos que vivem qualquer tipo de escravidão, desejo SER aquilo que Ele sonhou, e viver o que ELE planejou pra mim.