por Natalia Maggio

 

O que mais te move: honrar e agradar a Deus ou cumprir teus próprios interesses? Para onde suas paixões têm te levado? Quais são as suas paixões? Você as tem dominado?
Calma aí, quantas perguntas!
Antes de responder qualquer pergunta, vamos entender um pouco sobre as paixões.
O Catecismo da nossa Santa Igreja nos diz que:
§1763 O termo “paixões” pertence ao patrimônio cristão. Os sentimentos ou paixões designam as emoções ou movimentos da sensibilidade que inclinam alguém a agir ou não agir em vista do que é experimentado ou imaginado como bom ou mau.
§1764 As paixões são componentes naturais do psiquismo humanos; constituem o lugar de passagem e garantem a ligação entre a vida sensível e a vida do espírito. Nosso Senhor indica o coração do homem como a fonte de onde brota o movimento das paixões.
Nossas paixões estão totalmente ligadas às vontades do nosso coração, sentimentos e emoções…
Jesus teve temor, ficou triste quando Lázaro morreu, suou sangue em meio à tantas angústias, medos, até mesmo vontade de não querer passar por toda tentação, como vemos em Lucas 22, 42: “Pai, se queres, afasta de mim este cálice! Contudo, não a minha vontade, mas a tua seja feita!”.
Ele tinha Suas paixões, mas elas eram dominadas, ordenadas e controladas segundo a Vontade do Pai.
“Não siga os teus apetites, renuncia a própria vontade” (cf. Eclo 18, 30) e “Põe tua alegria no Senhor e Ele realizará os desejos do teu coração” (Sl 36, 4).
Para que possamos identificar e conhecer nossas paixões, é necessário fazermos um processo de autoconhecimento, de olharmos para dentro de nós e, assim, termos domínio de nós mesmos, nomearmos e ordenarmos tudo segundo a Vontade de Deus.

Sem este movimento de olharmos para nós, patinamos e nos cegamos nas nossas vontades, nossos desejos desenfreados, nas nossas idealizações e fantasias e até muitas vezes nos convencemos que as nossas vontades e escolhas também são as vontades de Deus.
Já ouviu falar em escravidão? Pois bem, podemos ser facilmente escravos das nossas paixões nos tornando criadores dos nossos próprios cativeiros, por puro orgulho e egoísmo.

Santo Antão já dizia, “se quiseres, és escravo das paixões. Se quiseres, és livre delas e não te sujeitas a elas, pois Deus te fez livre e quem vence as paixões da carne é coroado com a incorruptibilidade.

Se não existissem as paixões, não existiriam as virtudes, nem as coroas dadas por Deus aos homens que delas são dignos”.
Como Deus teceu com fios de ouro perfeitamente todo o caminho a ser percorrido para alcançarmos a salvação, Ele nos deixou as virtudes para nos auxiliar. E a virtude que combate diretamente os prazeres/desejos nos dando um equilíbrio e moderação é a virtude da temperança.
§1809 A temperança é a virtude moral que modera a atração pelos prazeres e procura o equilíbrio no uso dos bens criados. Assegura o domínio da vontade sobre os instintos e mantém os desejos dentro dos limites da honestidade. A pessoa temperante orienta para o bem seus apetites sensíveis, guarda uma santa discrição e “não se deixa levar a seguir as paixões do coração”. Devemos “viver com moderação, justiça e piedade neste mundo” (Tt 2,12).
§ 908 Por Sua obediência até a morte, Cristo comunicou a seus discípulos o dom da liberdade régia, “para que vençam em si mesmos o reino do pecado, por meio de sua abnegação e vida santa”.
Senhor, que em todas as nossas paixões, possamos permitir que a Tua vontade prevaleça, que possamos nos encorajarmos à luta, pois sabemos que o nosso lugar é o céu. Que o Espírito Santo nos conduza e nos dê a graça da obediência, docilidade e do controle das paixões. Amém.