• Por Bruna Hamrouch

Ao rezarmos a oração do pai nosso, em especial, quando pedimos ao pai que nos dê o pão nosso de cada dia, podemos pensar: Mas qual é o pão que eu preciso para viver? Do que eu preciso me alimentar diariamente? É claro que todo ser humano precisa do pão físico, do alimento que nutre o corpo e disso nós bem sabemos. Mas, para além disso, quais são as nossas necessidades diárias?

Podemos pensar no alimento ao nos relacionar com Deus através de nossa espiritualidade. Alimentamos nossa alma com a graça que Deus derrama em nós quando seu Espírito nos invade em nossas orações. Também podemos pensar no alimento intelectual ao adquirir algum conhecimento através de nossa racionalidade. Somos também alimentados com nossos relacionamentos, com nosso convívio social, vivendo momentos de partilha e fraternidade com nossos irmãos. Por último, podemos dizer que nosso fazer, nossas atividades e obras nos alimentam, pois nos fazem colocar em prática nossas habilidades e dons.

Todos esses são alimentos diários importantes para bem cuidarmos do maior dom que Deus nos deu: a vida. Acontece que podemos cair no perigo de nos tornarmos obesos numa parte, enquanto estamos desnutridos em outra.

A busca por nossa santidade passa necessariamente por equilíbrio e conhecimento de si.

 

Podemos encontrar pessoas muito ativas, que sabem resolver bem as coisas, doam suas habilidades para obra, mas têm dificuldade de viver a fraternidade e a unidade com os irmãos à sua volta. Outros, porém, podem ter facilidade com o místico de relacionar-se com Deus, mas preferem não trabalhar sua racionalidade, o que dificulta o aprofundamento de seu autoconhecimento e até o aprofundamento de sua fé. Também existem os que apoiam toda a confiança em si, no conhecimento e na racionalidade, tornando sua fé fria, estéril e cética.

Esses são alguns dos exemplos que tornam nossa vida desequilibrada e nossa alimentação desregrada. Os racionais fariam um bom exercício se experimentassem mais de momentos místicos, em que a ciência não alcança e não explica. Aqueles com a espiritualidade aflorada podem buscar aprofundar sua fé no conhecimento e na leitura. E os que vivem uma vida repleta de ativismo podem desfrutar mais do descanso, da meditação dos mistérios do rosário e da partilha fraterna.

Por isso, ao rezar “O pão nosso de cada dia nos dai hoje”, que possamos ser alimentados daquilo que precisamos, dentro de nossa complexidade, necessidade e particularidade. Sem esquecer, é claro, que o melhor alimento se dá a cada missa, na eucaristia, e que esse sem dúvida sacia aquilo que nem ao menos sabemos precisar.