Por Bruna Hamrourch

Gestação: preocupações e medos ou alegria e graça?

A gravidez é um momento muito especial na vida de uma mulher. É a fase em que podemos participar do plano de Deus, nos abrindo ao milagre da vida. Através do nosso corpo participamos do mistério da Criação divina, que se renova a cada bebê gerado. Mas essa alegria e essa graça muitas vezes passam desapercebidas aos nossos olhos, em meio a tantas preocupações, medos e ansiedades que uma mamãe tem ao gerar um bebê em seu ventre.
É natural que nos preocupemos com tudo o que está por vir, afinal, é uma nova vida que nos é confiada e isso não tem nada de muito simples. Nossa cabeça fica imersa nas preocupações com o quartinho, com as roupinhas que precisamos providenciar, preocupação em saber se está tudo bem com a saúde do bebê e com nossa saúde, e até a preocupação com nossa estética, já que nosso corpo passa por grandes mudanças. Também ficamos apreensivas e com medo de como será o momento do parto, onde e quando acontecerá e se a equipe médica será competente o suficiente para qualquer imprevisto. Sem contar com as preocupações com nosso trabalho (para as mamães que trabalham fora) e com as questões financeiras. E todas essas preocupações ainda precisam ser “gerenciadas” em meio a um boom de hormônios, dores e incômodos que sentimos a cada mês que passa.
Bom, parece até improvável que uma mulher consiga em meio a tudo isso manter-se alegre e disposta a louvar a Deus pelo dom de gerar uma vida. Mas é extremamente importante que as mamães e os papais percebam e sintam que a graça de Deus chegou em suas famílias através dessa criança. E quando falamos de graça de Deus, não há nada que possa superar, não há preocupação ou desconforto que possa apagar o valor da criação de uma vida.
É preciso manter a alegria e não deixar-se perder em meio a tantas preocupações. Precisamos nos manter vigilantes para estarmos centradas numa fé que não se desespera, nem mesmo quando tudo parece estar fora de nosso controle. Na gestação, boa parte ou quase toda obra é feita por Deus. É Ele quem cuida do essencial, do mais importante, fazendo uma vida surgir. E como queremos sempre ter controle de tudo, acabamos caindo em nossa insegurança e medo: o principal não está em nossas mãos, não depende de nós. Por isso, é importante manter-se firme na fé e confiante que Nosso Senhor cuidará de tudo. E a nós cabe ficarmos com as preocupações menores e não nos perder, nem nos desesperar com elas.

É importante entender que o filho que é gerado precisa sentir-se amado e perceber a alegria da mãe e do pai em recebê-lo.

 

Como diz o Papa Francisco: “O amor dos pais é instrumento do amor de Deus Pai, que espera com ternura o nascimento de cada criança, aceita-a incondicionalmente e acolhe-a gratuitamente (…) É importante que aquela criança se sinta esperada”.
Encerro com uma linda mensagem que nosso amado Papa Francisco escreveu na Exortação Apostólica Amoris Laetitia (Exortação Apostólica “A alegria do amor”) para as mamães gestantes. Que nós mamães tenhamos uma boa hora, uma ALEGRE hora:
“A cada mulher grávida, quero pedir-lhe afetuosamente: Cuida da tua alegria, que nada te tire a alegria interior da maternidade. Aquela criança merece a tua alegria. Não permitas que os medos, as preocupações, os comentários alheios ou os problemas apaguem esta felicidade de ser instrumento de Deus para trazer uma nova vida ao mundo. Ocupa-te daquilo que é preciso fazer ou preparar, mas sem obsessões, e louva como Maria: «A minha alma glorifica o Senhor e o meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador. Porque pôs os olhos na humildade da sua serva» (Lc 1, 46-48). Vive, com sereno entusiasmo, no meio dos teus incômodos e pede ao Senhor que guarde a tua alegria para poderes transmiti-la ao teu filho”.