-por Danyel Cayetano
Confira o que diz a Carta Apostólica “Misericórdia e Mísera”, escrita pelo Papa e publicado no mesmo dia em que o Papa Francisco fechou a última porta Santa e encerrou-se o Jubileu Extraordinário da Misericórdia.
O Papa explica que esse nome faz referência à maneira com que Santo Agostinho trata o encontro de Jesus com a prostituta e ressalta que esse foi o centro de todo o ano da misericórdia: Quando Jesus se encontra com ela, ela se encontra com a misericórdia de Deus e não com o peso da lei que condena. “A miséria do pecado foi revestida pela misericórdia do amor”, diz o Papa. A misericórdia sempre será um ato de gratuidade do Senhor e ninguém pode barra-la. Terminado o ano da misericórdia, Francisco pede que olhemos para frente sem deixarmos de experimentar dessa graça que é a misericórdia.
O perdão e a caridade são o centro das palavras de Francisco que estão escritas na carta.
O Papa fala aos sacerdotes, pedindo que a misericórdia seja vivida na Santa Missa, que suas homilias sejam preparadas com carinho, “Comunicar a certeza de que Deus nos ama não é um exercício de retórica, mas condição de credibilidade do próprio sacerdócio”. Também se dirige aos missionários da misericórdia, padres de diversas dioceses tiveram a missão de promover o encontro dos fiéis com a Confissão, para agradecê-los pelo serviço e pede para que as suas ações que antes se limitavam ao Ano Santo, sejam estendidas até segunda ordem. O Sacramento da Reconciliação toma grande parte do espaço da carta, e nela o Papa nos chama a trazer de volta esse sacramento para o centro da nossa vivência de fé. Aos padres o Papa Francisco pede que sejam acolhedores, disponíveis e generosos, e destaca que “não há lei nem preceito que possa impedir a Deus de reabraçar o filho”. Barrar a misericórdia de Deus na lei é invalidar a fé.
Durante o Ano Santo o Papa concedeu a todo sacerdote a faculdade de perdoar às pessoas que tiveram a tristeza de participarem um aborto. Nessa carta Francisco estendeu esse direito para além do Jubileu, ou seja, todos os sacerdotes podem oferecer o perdão a esses casos.
“Quero reiterar com todas as minhas forças que o aborto é um grave pecado, porque põe fim a uma vida inocente; mas, com igual força, posso e devo afirmar que não existe algum pecado que a misericórdia de Deus não possa alcançar e destruir, quando encontra um coração arrependido que pede para se reconciliar com o Pai.”, diz o Papa Francisco.
Sobre a Caridade, que toma outro grande espaço na carta, Francisco diz que as Portas Santas foram fechadas, mas os nossos corações não podem fechar as portas da misericórdia. Devemos ser caridosos na consolação, principalmente na família e nos momentos de morte.
O Papa agradece aos voluntários que dedicaram seu tempo ao próximo durante através de iniciativas no Ano da Misericórdia, mas pede para que nós não paremos, pois a pobreza tanto material como espiritual cresce no mundo e agir com caridade é de extrema importância nesse cenário. Por fim, o Papa instituiu o XXXIII Domingo do Tempo Comum como o Dia Mundial dos Pobres, para que os fiéis ao redor do mundo possam refletir sobre a pobreza que está no centro do Evangelho, pois a justiça não vencerá enquanto Lázaro continuar a perecer em nossas portas (Lc 16, 20).
A carta completa pode ser lida em: http://br.radiovaticana.va/news/2016/11/21/carta_apostólica_misericordia_et_misera_do_papa_francisco/1273708s